Jovens nascidos na floresta são esperança olímpica do Brasil

Jovens indígenas da Amazônia são escolhidos para projeto inédito: participar da Seleção Olímpica de Tiro com Arco.

 

No coração da Amazônia, uma equipe especial está treinando duro para entrar na seleção brasileira de arco e flecha e participar das olimpíadas de 2016. Se depender da intimidade desses meninos com o esporte, a medalha é nossa!

Drin, Jardel. Anderson. Nascidos na floresta. Criados na floresta. E, agora, esperanças de medalha olímpica para o Brasil inteiro.

Bola, boneca, carrinhos. Não, nada disso. O primeiro brinquedo de um indígena é o arco e flecha. Uma tradição forte que de geração em geração é passada de pais para filhos.

Drin, Jardel e Anderson são três jovens de um grupo de indígenas da Amazônia escolhidos para um projeto inédito: treinar quem já nasceu com arco e flecha na mão para, quem sabe, no futuro, participar da Seleção Olímpica de Tiro com Arco, nome oficial do esporte.

Nas aldeias, quem cuida do treinamento é a professora de Educação Física Márcia Lott. “Eu encontrei assim, arqueiros inatos. Eu encontrei jovens indígenas muito interessados em mudança de vida”, explica a professora.

Para enfrentar o desafio, os jovens indígenas têm que deixar a aldeia para trás e viajar 60 quilômetros de barco, por mais de uma hora, até a cidade grande.

Na Vila Olímpica de Manaus, o treinamento é intenso.

“Eles caçam uma arara voando a 100 metros de altura. O desafio nosso é só misturar essa sabedoria tradicional com a tecnologia de ponta dos esportes olímpicos”, conta o superintendente da Fundação Amazonas Sustentável, Virgilio Viana.

No comando, a elite do esporte: Roberval Fernando dos Santos, Campeão Brasileiro de Tiro com Arco. Que treina, além da técnica, a cabeça dos jovens.

“O ideal é que ele tenha também uma boa preparação psicológica. Isso é o que define realmente, o que vai separar um arqueiro de muito alto rendimento de um arqueiro que treina muito bem, mas na hora da competição não vai tão bem”, explica Roberval Fernando dos Santos.

As aulas vão continuar pelos próximos meses. Os três melhores continuarão em um treinamento avançado até as Olimpíadas do Rio, em 2016. Para as famílias, o mais importante já foi feito.

“Ele mudou o comportamento, o jeito de ser. As coisas que ele falava para mim que eu me entristecia, hoje o que ele fala me dá alegria”, diz a mãe do Anderson, Vânia dos Santos.

“Antigamente os povos indígenas eram esquecidos. Hoje não, a gente é olhado mais de perto”, explica o pai do Jardel.

Na cabeça dos meninos, o sonho é um só.

“Espero que eu seja um dos três selecionados”, conta Jardel.

“Participar de vários campeonatos, competições e sempre ser o orgulho da minha família. Sou capaz de tudo se for preciso”, diz Anderson.

Drin: “Vou trazer uma medalha. Não para mim, para toda família, para toda comunidade”.